quarta-feira, 9 de abril de 2014
Passado simples (primeira pessoa)
Fica aqui este esquema de modo a vos ajudar a treinar os passados na oralidade e na escrita.
Feito com Mindup
Fonte das imagens (disponibilizadas com licenças creativecommons):
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Donkey_cartoon_04.svg
http://freevectordownloadz.com/wp-content/uploads/2013/11/Brown-Eye-Clip-Art.jpg
terça-feira, 8 de abril de 2014
Portugal Selvagem - Vocabulário da fauna
O programa Portugal Selvagem é uma boa opção para alargar o vocabulário relacionado com a fauna e o ambiente em geral -basta fazer uma pesquisa no Youtube com esse nome para ter acesso a vários programas. Deixo cá as ligações de Youtube para dois vídeos que dizem respeito aos Açores, o que liga diretamente com a atividade que estamos a realizar nas aulas. Fica também em baixo o nome da cada um dos programas concretos, para o caso de que tenham alguma dificuldade em ver desde o blogue.
O terceiro vídeo é uma apresentação com os nomes e imagens de alguns animais. De certeza que não fará mal dar uma vista de olhos.
Portugal selvagem - Açores: A lenda do Atlântico
Vida selvagem: As ilhas dos Açores
Fauna de Portugal - Apresentação com algum vocabulário.
Escrever convite - Nível Intermédio
Deixo aqui um exemplo de uma tarefa de escrita que fizemos no Intermédio. Cá em baixo têm o texto corrigido. Marquei a verde alguns pormenores em que convém reparar. Muito obrigado à Célia por disponibilizar o texto.
INSTRUÇÕES DA TAREFA
Convida os teus colegas de turma para aderirem a uma associação o invulgar quetu criaste ou promoves. Toca os seguintes pontos:
– Nome da associação o e data de criação.
– Objetivos que persegue.
– Atividades que promove.
– Maneiras de aderir e quotas.
De: Célia
Para: Turma de
português (nível intermédio)
Caros e caras colegas,
Há um ano que faço
parte de uma associação na minha cidade de origem para ajudar as crianças cujas
famílias têm importantes problemas económicos. Chama-se Assosiação pelas
Crianças da Corunha.
E como está a ser
uma experiência muito enriquecedora para mim, gostaria imenso de partilhar convosco esta vivência. É por isso que venho convidar-vos para a próxima
reunião, que será no dia 1 de abril, na Rua Rodrigo A. de Santiago, 1.º andar,
na Corunha - local da sede da associação.
Podem contribuir para esta causa com dinheiro, comida, brinquedos, tempo, ilusão, boa vontade, apoio...
Qualquer coisa destas agradeceriam os miúdos e também as suas famílias... Adianto
que um dos temas que se vão tratar é a possibilidade de que esta iniciativa se
faça extensiva às cidades e vilas da Galiza. Falar-se-á também dum projeto
muito interessante: criar uma espécie de rede, que se poderia chamar a Rede da
Galiza de Ajuda às Crianças. Se nessa altura vocês tiverem qualquer sugestão que
tenha a ver com isto, será muito bem recebida.
Espero que vocês apareçam!
Cumprimentos cordiais
A Célia
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Zamburinha Atravessada Zangando Pessoas (A Décima Ilha dos Açores)
Está turma do básico sai-se dos eixos, mesmo. Inventaram uma ilha que se chama Zamburinha Atravessada Zangando Pessoas. Muito obrigado a eles por este contributo. Gostava era de ver o passaporte da tal Décima Ilha dos Açores.
DIÁLOGO ENTRE SãO FROILÃO E O LOBO
Iván, do nível Básico, por iniciativa própria, recuperou da Aula Cesga esta tarefa que costumavam fazer os estudantes de português da EOI da Lugo para trabalhar a identificação pessoal e apresentações. Muito obrigado a ele por pegar neste velho tópico. Deixo cá as instruções da tarefa para o caso de que alguém mais se anime.
Instruções: Diálogo entre São Froilão e o lobo
São Froilão vem de Leão a caminho de Lugo. Encontra-se com o lobo nas montanhas dos Ancares e iniciam um diálogo:
- Cumprimentam.
- Apresentam-se.
- Cada um deles quer saber o que é o outro anda a fazer.
- S.Froilão pede ajuda ao lobo para carregar os alforges do seu burro.
- Chegam ou não chegam a um acordo.
- Despedem-se.
Durante o diálogo terás de incluir, pelo menos, uma pergunta-eco do género de "Não é?" ou "Pois não?"
Diálogo entre S.Froilão e o Lobo
Quando
o Lobo Lupo chegou à sua toca, depois de ter passado toda a
manhã tentando caçar algo sem resultado, encontrou-se um homem a
dormir à frente dos arbustos que tapavam a entrada da
sua toca.
- Bom
dia, senhor. Se fosse tão amável, afastava-se da porta
da minha casa para eu poder entrar?
- Bom
dia, senhor lobo. Sim, desculpe bom lobo, estava tão cansado
que nem reparei onde fiquei a dormir.
- Eu
sou o lobo Lupo. O senhor está a fazer uma viagem?
-
Prazer em conhecê-lo. Eu sou são Froilão. Sim, há já uma semana
que saí de Leão, e dirijo-me a Lugo.
- O que
é que o senhor vai fazer a Lugo?
- Tive
notícia de que minha mãe está enferma e vou visitá-la. E
tú, moras cá, não é?
- Sim.
Eu costumava fazer parte duma alcateia de lobos, mas
quando o meu pai, o macho alfa da alcateia, morreu, o
meu tio fez-se com o poder, botou-me do grupo e agora vivo
aqui sozinho, entregado à vida contemplativa e à meditação.
- Já vejo que tens muito tempo livre, vou-te propor uma
coisa: o meu burro está comigo há muitos anos a me fazer um
grande serviço e como ja é algo velho, queria-o deixar em liberdade
na floresta. Gostarias tu de me levar os alforges e
acompanhar-me na minha viagem?
-
Gostaria muito de ser o teu parceiro e viajar contigo.
- Fico
muito contente de ouvir isso. Então, e se começamos já a
nossa viagem juntos?
- Vamos
embora!
Fonte da imagem: serafunen.blogspot.com
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Sou formada em: breve apresentação profissional
Deixo aqui algumas expressões úteis para se apresentar do ponto de vista profissional. Fiz o mapa mental com o programa
http://www.mindmup.com
Que vos recomendo para criar esquemas deste tipo rapidamente.
http://www.mindmup.com
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terça-feira, 1 de abril de 2014
A Casa do Rio Vermelho
Aproveitando que o nosso clubinho Léria se debruçava sobre os Capitães da Areia, de Jorge Amado, resolvi ler este A Casa do Rio Vermelho, de Zélia Gattai.
O livro relata o período em que Zélia e Jorge moraram juntos nessa casa da Rua Alagoinhas, em Salvador de Bahia, entre a década de 60 e a de 90 do século passado. No fim deste post, podem ler um excerto da passagem de Jorge Amado e Zélia Gattai pela Galiza.
Para quem o queira ler, o livro está disponível na biblioteca Ângelo Casal.
Filha de migrantes italianos, Zélia Gattai nasceu em São Paulo em 1916. Cresceu num ambiente de luta operária, entre migrantes portugueses, italianos e espanhóis - muitos deles galegos, previsivelmente. O livro Anarquistas graças a Deus dá boa conta deste período da vida da autora.
Zélia conhece Jorge Amado em 1945, no meio de uma campanha pela amnistia de presos políticos. O longo relacionamento que iniciou com o escritor bahiano irá até a morte deste, em 2001. O Rio de Janeiro, a Checoslováquia, Paris e, nomeadamente, Salvador, serão alguns dos cenários da vida em comum do casal.
A Casa do Rio Vermelho começa com a viagem do casal do Rio até Salvador, num Citroen ID19, que Jorge Amado batizaria como Cara de Sapo. João Jorge filho fazia então13 anos, e os pais resolvem mudar-se para a Bahia, assustados com o ambiente de violência que se vivia no Rio.
A primeira parte do livro narra as peripécias do casal à procura de uma casa, que acaba por ser aquela que dá nome ao livro. Para além do interesse na vida da Zélia e Jorge Amado, o livro dá-nos bons exemplos dos ritmos da vida em família no Brasil - uma família no mais amplo dos sentidos, com amigos sempre em volta, como o pintor Bahiano Carybé.
Pela Casa do Rio Vermelho passarão, entre muitos outros: Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre, Harry Belafonte (cantor de calypso), Sofia Loren, Pablo Neruda, Pierre Verger, Carlos Bastos (pintor), Amália Rodrigues, Dorival Caymmi, Vinícius de Moraes, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Mário Soares, e os escritores portugueses Ferreira de Castro e Fernando Namora. Um dos hóspedes habituais era o cantor Georges Moustaki, que compôs duas canções à Bahia, sendo que numa delas o próprio Jorge Amado é citado.
O livro dá também boa conta das viagens de Jorge Amado e Zélia Gattai. Numa das primeiras que se relatam, a Cuba, o casal vai ter com o poeta Nicolás Guillén.
Nessa visita, Jorge Amado, comunista pouco ortodoxo, pediu para visitar um Terreiro de Candomblé em Havana. Ora, os camaradas cubanos respondem que já não há candomblé em Cuba:
Outras vertentes interessantes do livro são as relações com escritores portugueses; as alusões à ditadura que se iniciou em 1964; os filmes baseados em livros de Jorge Amado; episódios como o do enterro do famoso cangaceiro Corisco; ou o processo de escrita de algumas obras de Jorge Amado, como os apontamentos autobiográficos de Navegação da Cabotagem.
Interessa também a própria autodescoberta de Zélia Gattai enquanto escritora, quando já tinha 63 anos. A sua escrita estaria marcada pela naturalidade da linguagem e a falta de pretensionismo literário, virtudes raras de encontrar.
Para finalizar, deixo aqui o excerto que diz respeito a uma passagem do casal pela Galiza, provenientes de Portugal e a caminho da Escandinávia. Achei engraçado que esta epígrafe leva-se por título Rumo à Dinamarca, como se fôssemos um barco prestes a partir para algum outro lugar.
Fonte da imagem: colegioativoliterativo.blogspot.com
O livro relata o período em que Zélia e Jorge moraram juntos nessa casa da Rua Alagoinhas, em Salvador de Bahia, entre a década de 60 e a de 90 do século passado. No fim deste post, podem ler um excerto da passagem de Jorge Amado e Zélia Gattai pela Galiza.
Para quem o queira ler, o livro está disponível na biblioteca Ângelo Casal.
Filha de migrantes italianos, Zélia Gattai nasceu em São Paulo em 1916. Cresceu num ambiente de luta operária, entre migrantes portugueses, italianos e espanhóis - muitos deles galegos, previsivelmente. O livro Anarquistas graças a Deus dá boa conta deste período da vida da autora.
Zélia conhece Jorge Amado em 1945, no meio de uma campanha pela amnistia de presos políticos. O longo relacionamento que iniciou com o escritor bahiano irá até a morte deste, em 2001. O Rio de Janeiro, a Checoslováquia, Paris e, nomeadamente, Salvador, serão alguns dos cenários da vida em comum do casal.
A Casa do Rio Vermelho começa com a viagem do casal do Rio até Salvador, num Citroen ID19, que Jorge Amado batizaria como Cara de Sapo. João Jorge filho fazia então13 anos, e os pais resolvem mudar-se para a Bahia, assustados com o ambiente de violência que se vivia no Rio.
A primeira parte do livro narra as peripécias do casal à procura de uma casa, que acaba por ser aquela que dá nome ao livro. Para além do interesse na vida da Zélia e Jorge Amado, o livro dá-nos bons exemplos dos ritmos da vida em família no Brasil - uma família no mais amplo dos sentidos, com amigos sempre em volta, como o pintor Bahiano Carybé.
Pela Casa do Rio Vermelho passarão, entre muitos outros: Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre, Harry Belafonte (cantor de calypso), Sofia Loren, Pablo Neruda, Pierre Verger, Carlos Bastos (pintor), Amália Rodrigues, Dorival Caymmi, Vinícius de Moraes, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Mário Soares, e os escritores portugueses Ferreira de Castro e Fernando Namora. Um dos hóspedes habituais era o cantor Georges Moustaki, que compôs duas canções à Bahia, sendo que numa delas o próprio Jorge Amado é citado.
O livro dá também boa conta das viagens de Jorge Amado e Zélia Gattai. Numa das primeiras que se relatam, a Cuba, o casal vai ter com o poeta Nicolás Guillén.
Nessa visita, Jorge Amado, comunista pouco ortodoxo, pediu para visitar um Terreiro de Candomblé em Havana. Ora, os camaradas cubanos respondem que já não há candomblé em Cuba:
Jorge quis assistir a um candomblé e eles disseram que não havia candomblés em Cuba. Num discurso de despedida, para uma grande plateia de intelectuais e de leitores seus, Jorge disse o quanto lamentava não ter encontrado um terreiro de candomblé em Cuba, o quanto repudiava o sectarismo e que não concordava com qualquer restrição religiosa, fosse ela qual fosse (Página 59)
Outras vertentes interessantes do livro são as relações com escritores portugueses; as alusões à ditadura que se iniciou em 1964; os filmes baseados em livros de Jorge Amado; episódios como o do enterro do famoso cangaceiro Corisco; ou o processo de escrita de algumas obras de Jorge Amado, como os apontamentos autobiográficos de Navegação da Cabotagem.
Interessa também a própria autodescoberta de Zélia Gattai enquanto escritora, quando já tinha 63 anos. A sua escrita estaria marcada pela naturalidade da linguagem e a falta de pretensionismo literário, virtudes raras de encontrar.
Para finalizar, deixo aqui o excerto que diz respeito a uma passagem do casal pela Galiza, provenientes de Portugal e a caminho da Escandinávia. Achei engraçado que esta epígrafe leva-se por título Rumo à Dinamarca, como se fôssemos um barco prestes a partir para algum outro lugar.
Fonte da imagem: colegioativoliterativo.blogspot.com
Joseph escreveu este post sobre A Casa do Rio Vermelho.RUMO À DINAMARCAZélia Gattai, em A Casa do Rio VermelhoNum Mercedes preto, com motorista e tudo, carro alugado em Lisboa, saímos numa viagem pelo norte de Portugal, atravessamos serras e planícies, passamos a fronteira com a Espanha. Nos divertimos constatando a diferença de caráter entre os vizinhos, tão próximos e tão distantes na maneira de ser.Deixávamos Portugal e antes de atravessarmos a fronteira lemos numa parede: Um dia o sol brilhará para todos. Logo abaixo, a intromissão de um gaiato: E nos dias de chuva?Mal pisamos a Espanha, lemos na fachada de uma casa, em letras garrafais: Te odio, te odio y te odio!Em Vigo almoçamos no restaurante El Mosquito os mais deliciosos frutos do mar. Jorge fez questão de passar com Arlete por uma papelaria, nossa conhecida, atração e divertimento de brasileiros que por ela passam, interessados no nome do proprietário escrito na fachada da casa comercial: Papeteria Juan Buceta.Nosso destino era Santiago de Compostela, passaríamos, a caminho, por Pontevedra, onde tínhamos amigos. Lá encontraríamos Manolo ou José Alberto Moreira, donos do melhor antiquário da Bahia. Os Moreira tinham em Pontevedra uma sucursal ou matriz, não sei, da casa de antigüidades. Nessa cidade também viviam alguns baianos casados com galegos. Por onde passávamos íamos encontrando conhecidos.Santiago de Compostela é a cidade de meus encantos. Não víamos a hora de chegar à catedral, não queríamos perder a impressionante cerimônia do bota fumero, quando um gigantesco turíbulo suspenso ao alto por grossas cordas é balançado de um lado a outro da igreja, a velocidade aumentando cada vez mais, a fumaça do incenso se espalhando, invadindo tudo.Havia fila para reverenciar Santiago de Compostela, cuja imagem estava instalada no centro do altar-mor.Paramos para ver, dentro do templo, nas suas laterais, enormes pinturas, onde Santiago, montado a cavalo, de espada em punho, decepa cabeças, mata os mouros que o rodeiam. Por isso o chamavam Santiago Mata Moros, explicava um guia de turismo a um grupo queacompanhava.Eu estava doida para me aproximar da imagem, no altar, ao alto,coisa fácil pois era só subir uma escadinha atrás, que dava acesso àscostas do santo. Esperei que um grupo de turistas acabasse de subir, fui atrás. Naquele ambiente sombrio, a proximidade com a imagem me impressionou. Queria dar-lhe um beijinho e para completar o carinho devia também abraçá-lo. No momento em que o abraçava e beijava-lheas costas, ouvi uma gargalhada, aliás, duas gargalhadas. Sem me separar de Santiago, olhei para o lado, onde Arlete e Paloma morriam de rir. Eu não estava ali por caçoada, nem por devoção, apenas tivera esse ímpeto e fora adiante. Não sei se foi impressão minha ou não, senti Santiago tremer na base, não devia estar muito preso. Nesses momentos a gente pensa nos maiores absurdos, e eu pensei: e se aimagem desabar sobre o altar e eu junto, grudada em suas costas?Atacou-me uma vontade louca de rir, sobretudo ao ver que Jorgec hegara junto à escadinha e ria com as duas. Não conseguia me soltar do santo, atrás de mim a fila aumentava e eu ali, fingindo que choravade emoção, recurso instintivo, evitaria ser linchada caso descobrissem afalta de respeito, rir daquele jeito nas costas de Santiago deCompostela. Situação tragicômica, inesquecível, nos rende boas risadas todas as vezes que a recordamos. Nosso destino era a França onde pararíamos uns poucos dias em Paris, antes de prosseguirmos a viagem para a Escandinávia.(Páginas 199-200)
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