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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O MEU QUARTO NA ADOLESCÊNCIA


A tarefa que se pediu era bem simples: falar do quarto da infância. Eis o texto de uma estudante da turma do nível intermédio (B1). Muito obrigado a ela pelo contributo. Deixamos no fim uma música do Fausto, músico citado no texto.

Desde menina o meu irmão e eu partilhamos quarto, pelo que, quando pude escolher um para mim sozinha pareceu-me fantástico poder ter uma cama de casal. Era uma cama de ferro verde, simulando as camas antiguas, com bolas douradas na cabeceira e nos pés. O edredão tinha também tons verdes e a mesa de cabeceira era de madeira como o candeeiro.

 A secretária era o dobro da que tinha antes, e com cadeira giratória. Que contente estava!

Apoderei-me da aparelhagem de música, e dançava e cantava fechada no meu quarto todo o tempo que podia. Foi então quando tivemos que chegar ao acordo de chamar antes de entrar no meu formoso quarto.

 Eu pegava nos discos e nas cassetes que o meu irmão tinha no seu quarto(aproveitando que ele estudava fora e só vinha ao fim de semana), pelo que escutava tanto Janis Joplin, como "Fuxan os Ventos","Kortatu",Fausto ou Janis Ian. Suponho que sentia adoração pelo meu irmão.

Lembro um póster enorme duma árvore que tinha caras escondidas, de tal forma que sempre descobrias uma nova. Gostava tanto que o mandei emoldurar.
Assim era o meu quarto na adolescência. O meu furadinho próprio.

N.G.C.


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Receita de palavras

Nesta tarefa pedia-se a redação de uma receita onde a própria língua portuguesa fosse a cozinhada. Vejam que gostosa ideia esta aqui em baixo, de uma estudante da turma do básico das 20h30. Regalem-se com ela para preparar o teste. 

“VITELA DE CASA JOSÉ”

Ingredientes:

8 consoantes: v, t, l, d, c, s, j, s
8 vogais: i, e, a, e, a, a, o, e
1 acento
8 sons consoantes: [v], [t], [l], [d], [k], [z] acompanhado de um pequeño zângão, [ʒ ] acompanhado duma joaninha mediana e outra [z], mas acompanhado dum zângão maior.
8 vogais orais: [i], [ɛ ], [a], [e], [a], [ɐ ], [o], [ɛ ]
Sotaque português q.b.

Confeção:

Pôr ao lume num tacho as oito consoantes e mexer bem. A seguir, deitar as oito vogais e o acento. Não deixar de mexer. Esperar 5 minutos e adicionar os oito sons consoantes e as 8 vogais orais. Deixar ferver em lume brando.

Noutro tacho deitar a joaninha, os zângãos e temperar com sotaque português quanto baste. Este será o molho. Deixar em lume brando 10 minutos e passar com a varinha mágica.

Por último, servir num prato: deitamos a mistura das vogais, consoantes, acento, sons consoantes e vogais orais, e cobrimos com o molho.

Bom apetite!

domingo, 1 de junho de 2014

Experiência de uma estudante da EOI, agora em Lisboa


Uma estudante de português do nível intermédio viajou este ano a Portugal, onde tirou bastante proveito dos seus conhecimentos prévios da língua. Atualmente ela está a trabalhar mantendo este blogue que vos animo a consultar - tem alguma postagem em inglês, mas a maioria em português. 

E além disso, escreveu o texto que segue em baixo sobre a sua experiência em Portugal. Muito obrigado a ela por partilhar.

Estudar português

Quando no ano 2012 decidi aprender uma língua nova, já o alemão andava na moda na Escola de Línguas de Compostela. Já todas as pessoas estavam a querer ir-se embora para o que parecia ser a terra prometida. Na altura, eu preferi o português. Não apenas porque achei que ao ser uma língua próxima ao galego a aprendizagem seria muito mais rápida, mas também porque me abria todo um mundo de possibilidades: quase 250 milhões de falantes e a emergência do Brasil como uma das novas potências económicas no mundo pintavam um panorama bastante estimulante para o estudo. E aconteceu que, afinal, o ensejo chegou desde muito mais perto.  

Em Julho de 2013 fui selecionada pela associação juvenil Rota Jovem de Cascais para um projecto do Serviço Voluntário Europeu de dez meses de duração. Era uma oportunidade imensa para mim a todos os níveis, também a nível de língua. Dez meses em Portugal dariam para pôr em prática tudo o aprendido durante o meu primeiro ano a estudar português, e também para aprender diretamente com falantes nativos, numa imersão linguística e cultural completa. E assim está a ser. Ainda por cima, entre as tarefas do meu projeto na Rota Jovem está a dinamização do blogue da associação (http://blog.rotajovem.com/), não deixem de ler o que lá tenho escrito até agora), que está a permitir-me melhorar o meu desempenho na escrita de uma maneira extraordinária e exponencial. Para já, é muito gratificante verificar como com cada texto as necessidades de pesquisa mudam e como se vão incorporando palavras e expressões que passam já a fazer parte do léxico próprio. A escrita do blogue está a ser, portanto, uma grande aprendizagem e uma grande satisfação, e tem contribuído imenso à minha auto-confiança no uso da língua, também no nível oral. Contudo, ainda me fica muito por aprender e melhorar, e nisso estou, pelo menos, até Agosto.
É assim que o português me está a dar uma variedade infinita de opções que nem poderia ter imaginado quando comecei a estudá-lo. Estou envolvida num projeto que me satisfaz enormemente e que colmata com acréscimo as minhas expetativas, e é em grande medida por ter conhecimentos linguísticos e muita disposição e vontade para melho-los que tudo está a correr tão bem. Enquanto galegas e galegos, temos uma oportunidade gigante que deveríamos saber ver e querer aproveitar porque está aí, mesmo ao pé de nós. Aprender português sendo galego é uma vantagem incomensurável da qual só agora eu sou totalmente consciente, e só depende de nós próprios tirar partido dela.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Palavras à mesa

Proposta de tarefa escrita

As palavras são feitas da farinha que foi moída no moinho comunitário da língua. Esta tarefa quer convidar-vos, por isso, a partilharem a vossa receita para cozinhar uma palavra da língua portuguesa que seja bem do vosso gosto.

Tanto nos ingredientes quanto nos processos de cozinhado, seja sempre bem-vinda toda quanta liberdade e fantasia queiram enfornar. Os leitores ficarão rilhados e rilhadas de desespero para experimentar a iguaria.


Fonte da imagem: http://pixabay.com/pt/cora%C3%A7%C3%A3o-assar-receita-queijo-49577/


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Sou um rio (Rio São Francisco)

Na tarefa "sou um rio" propunha-se virar rio para se apresentar em primeira pessoa. 

Cá temos um dos grande rios do Brasil a se apresentar. Muito obrigado a quem escreveu. 

O Rio São Francisco (O Velho Chico)


Para os índios sou o rio Opará, o rio mar, mas também sou o Velho Chico para o povo brasileiro. Américo Vespúcio descobriu-me em 1501 e deu-me o nome de São Francisco. Franceses e Holandeses frequentaram a minha foz. O primeiro bispo do Brasil, D. Pero Fernandes Sardinha, escapou à morte num naufrágio na minha foz, só para ser devorado depois pelos índios Caetés.



Após a descoberta de ouro no estado de Mina Gerais, fui usado como rota de entrada ao interior do país. É por isso que sou chamado rio da integração nacional. Guiados pela cobiça, os colonizadores, em luta contra a bandidagem, foram queimando aldeias e quilombos, dizimando os índios e escravos fugidos.



Uma outra alcunha que eu tenho é rio currais, pois era o gado do nordeste o que descia o rio até ao litoral.




Fonte da Imagem: Wikipédia. 


No meu curso médio atravesso o sertão, e apesar da falta de chuva e o calor, mantenho-me perene. Após percorrer mais de 2.800 Km, desaguo no oceano Atlântico.

(Turma de intermédio II das 9h00)

Não deixem de ler o maravilhoso poema de Carlos Drummond de Andrade sobre o rio: Águas e Mágoas do Rio São Francisco:  

Eis várias músicas sobre o Rio São Francisco.


Riacho do Navio, do legendário Luís Gonzaga, Rei do Baião. 

 
 Petrolina e Juazeiro, duas cidades de dois estados, Pernambuco e Bahia, unidas ou separadas pelo rio? 

Fogo! Como gosto desta música!


Música do Rio São Francisco por Renata Cruz. 

sábado, 3 de maio de 2014

Os Porquinhos do Planeta Lusitânia.


Pedi aos estudantes do básico que aproveitassem a Páscoa para ler um livro e escrever um pequeno texto a imaginar que eles próprio tinham entrado dentro da obra. Eis um dos exemplos que me chegaram, da turma do básico das 20h30.

Num futuro distante, a humanidade expandiu-se por 100 planetas.
O planeta chamado Lusitânia foi colonizado por pessoas do Brasil, por isso as línguas oficiais são o português e stark (língua comum a todos os humanos).
Eu sou um Porquinho. Os primeiros colonizadores confundiram-nos com um animal da Terra. Eles ficaram muito surpreendidos ao comprovar que somos inteligentes. Somos a segunda espécie inteligente que os humanos topam, e como a primeira a exterminaram, eles são muito protetores connosco. Os terrícolas não querem influir em nós. Quase não se relacionam connosco, e por isso eles não sabem como vivemos. 


Fonte da imagem: http://agendadolivro.blogspot.com.es/2011/06/em-meu-primeiro-posto-vou-falar-nao-de.html
No meu nascimento, a minha mãe deu a vida por mim, permitindo que me alimentasse dela. Na minha primeira vida, vivi dentro da árvore-mãe, alimentando-me da seiva. Esta vida é de escuridão total. Era uma larva.
 Depois, quando saí da árvore, foi com a forma de porquinho. Nesta etapa da vida, estou no meio do caminho para a luz.
Gosto muito de brincar, subir às árvores, e passear pela floresta. Às noites costumo ir até à colónia dos humanos para espiá-los.
Desejo passar à terceira vida. passarei se consigo ser um herói de guerra, ou contribuir com algo lucrativo para a nossa sociedade. Eu estou a investigar aos humanos. Quero conseguir para o nosso povo alguns dos segredos dos homens para melhorar as nossas vidas. Se o faço, vão-me dar passo a nova vida.
A Transformação à terceira vida consiste em que um amigo me abre a barriga, e espalhará os órgãos pelo chão. Da minha coluna vertebral brotará uma árvore. Vou-me converter nelas, viverei muitos anos, serei adorado e poderei ser pai de muitos porquinhos. Sendo árvore pai, são consciente de tudo o que me rodeia, podendo falar com os porquinhos, e assim assessorar as minhas crianças.
Nesta vida, gostarei muito de apanhar sol. Chegarei à luz. Serei uma árvore.

domingo, 27 de abril de 2014

Flora e Fauna da ilha de Castejejisê

Assim foi imaginada a ilha de Castejejisê por Vanessa, do nível básico. Muito obrigado a ela por disponibilizar o texto. 

Flora e fauna de Castejejisê

A nossa ilha chama-se Castejejisê. Tem muita fauna e flora.
A fauna é composta por burros, ovelhas, vacas, cavalos,...
Na ilha há muitos pássaros, como podem ser gaivotas e corvos. 
As gaivotas comem os peixes que há no oceano que rodeia a nossa ilha. 
O oceano que rodeia a ilha é o oceano Atlântico.
Na ilha Castejejisê as serpentes são de cor de laranja.
Quanto à flora, no centro da ilha há uma grande floresta.
No bosque há eucaliptos, pinheiros e carvalhos. À beira-rio há salgueiros.
Na parte da ilha em que ficam as aldeias, há estufas.

Dentro das estufas cultivam-se cerejeiras, amendoeiras e pereiras.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Profissão: fogueteiro

Perguntei no nível básico se achavam que alguma profissão devia ser melhor paga do que é atualmente. Alguém me deu esta resposta, de que gostei muito. Muito obrigado a ela pelo contributo. 

Eu acho que uma das profissões que não é muito bem paga é a de fogueteiro porque é uma profissão de muito risco para as pessoas que trabalham nisso e para aqueles que vivem muito perto das fábricas de foguetes. Além disso, um erro pequenino pode produzir uma grande explosão.

Aliás, os fogueteiros são os encarregados de lançar os foguetes nas festas, e se houver algum erro, podem matar alguém ou provocar un incêndio. É uma profissão de muito risco, e por isso penso que devem ter melhor soldo do que têm. 


Fonte da Imagem: elprogreso.galiciae.com

* Por acaso, quando procurava imagens de fogueteiros na Internet deparei-me com muitas fotografias de polícias e criminosos brasileiros. Pesquisando mais, vim a saber que no Brasil, a palavra "fogueteiro" é também usada neste sentido: 

Olheiros que soltam foguetes nos morros [Neste contexto, as favelas] para avisar os traficantes das diligências policiais e, com isso, favorecer a escamoteação dos tóxicos para garantir a sua posterior distribuição e venda e evitar a prisão dos traficantes (Fonte: Dicionário Informal). 

Ou, ainda na mesma fonte: 

Menino que auxilia no tráfico de drogas, soltando um rojão, que informa tanto os traficantes quanto os moradores da presença de policiais (canas, coxas, PM, os home, etc) na favela. 


Com certeza não era destes fogueteiros que falava a estudante do nível básico.

domingo, 20 de abril de 2014

Associação de apanhadores de corninhos


Maria, do Nível Intermédio, escreveu este convite para aderir a uma associação invulgar. 

Convite aos colegas de turma para aderirem à Associação de Apanhadores de Corninhos (A.S.A.C.O.)

Fonte da imagem: http://www.ebay.com/bhp/dentalium

Caras e caros colegas,

Venho convidar-vos para se associarem e participarem na Associação de Apanhadores de Corninhos (A.S.A.C.O.). A A.S.A.C.O. nasceu em fevereiro de 2007 para que o pessoal possa unir-se por um motivo duplo:


1º Passar tempo de lazer ao ar livre andando pelas praias.

2º Ajudar os índios Yakima do Estado de Washington, na costa Oeste dos EUA.
Já sabem que os corninhos da Galiza (Dentalium Vulgare), são muito apreciados pelos Yakima para cobrir peitorais e capacetes, fazer colares, brincos, pulseiras e outros produtos de artesanato.

A A.S.A.C.O. promove no próximo 17 de abril, quarta-feira da Páscoa, uma competição de apanhar corninhos na praia de Carnota, com a seguinte agenda:

10h30-11h30: Inscrição e quota (1 €)

11h30-12h30: Competição

12h30-13h00: Proclamação, pelo júri, da pessoa vencedora e entrega de uma quimera carregada de corninhos

A inscrição e o júri estarão na entrada de Malhou

Força e até lá!

Joana Gomes

Presidenta da A.S.A.C.O. 

Lembrem um par de pormenores: 
  • Os nomes de associações e empresas costumam ir precedidas de artigo: A A.S.A.C.O.  
  •  Ajudamos alguém: O Pedro ajudou o João / O João ajudou a associação / O Pedro e o João ajudaram muitas pessoas. 

  

terça-feira, 8 de abril de 2014

Escrever convite - Nível Intermédio


Deixo aqui um exemplo de uma tarefa de escrita que fizemos no Intermédio. Cá em baixo têm o texto corrigido. Marquei a verde alguns pormenores em que convém reparar. Muito obrigado à Célia por disponibilizar o texto. 

INSTRUÇÕES DA TAREFA

Convida os teus colegas de turma para aderirem a uma associação o invulgar quetu criaste ou promoves. Toca os seguintes pontos:

– Nome da associação o e data de criação. 
– Objetivos que persegue.
– Atividades que promove.
– Maneiras de aderir e quotas.
 
De: Célia

Para: Turma de português (nível intermédio)



Caros e caras colegas,


Há um ano que faço parte de uma associação na minha cidade de origem para ajudar as crianças cujas famílias têm importantes problemas económicos. Chama-se Assosiação pelas Crianças da Corunha.  


E como está a ser uma experiência muito enriquecedora para mim, gostaria imenso de partilhar convosco esta vivência. É por isso que venho convidar-vos para a próxima reunião, que será no dia 1 de abril, na Rua Rodrigo A. de Santiago, 1.º andar, na Corunha - local da sede da associação.


Podem contribuir para esta causa com dinheiro, comida, brinquedos, tempo, ilusão, boa vontade, apoio... Qualquer coisa destas agradeceriam os miúdos e também as suas famílias... Adianto que um dos temas que se vão tratar é a possibilidade de que esta iniciativa se faça extensiva às cidades e vilas da Galiza. Falar-se-á também dum projeto muito interessante: criar uma espécie de rede, que se poderia chamar a Rede da Galiza de Ajuda às Crianças. Se nessa altura vocês tiverem qualquer sugestão que tenha a ver com isto, será muito bem recebida.    

Espero que vocês apareçam!

Cumprimentos cordiais



A Célia


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Zamburinha Atravessada Zangando Pessoas (A Décima Ilha dos Açores)

Está turma do básico sai-se dos eixos, mesmo. Inventaram uma ilha que se chama Zamburinha Atravessada Zangando Pessoas. Muito obrigado a eles por este contributo. Gostava era de ver o passaporte da tal Décima Ilha dos Açores.


quarta-feira, 26 de março de 2014

Porquê ler «Capitães da areia» de Jorge Amado?

  Leonardo (Básico Integrado, 20h00)

Na semana passada acabei de ler o romance «capitães da areia» do Jorge Amado. É desses livros que uma pessoa nunca quer que acabe.
«Capitães da areia» é um clássico da literatura brasileira e tem motivos bastantes para o ser. Aliás, é um livro curto que está escrito de maneira ágil e com uma língua fácil de compreender para um aluno do nível básico.
O livro conta a história dum grupo extenso de meninos da rua, órfãos que vivem num trapiche (uma sorte de armazém) abandonado e próximo do cais. As crianças são comandadas por Pedro Bala, líder carismático e autêntico protagonista do romance. O roubo, os enganos e as fraudes são o seu meio de vida. 
O Professor, Sem-Pernas, Volta-Seca, Gato, Pirulito, Boa-Vida, Dora, são alguns dos meninos que logo acabamos por conhecer e compreender, porque o Jorge Amado desenha uns personagens com uns perfis psicológicos verdadeiramente complexos e profundos. 
O dia-a-dia dos meninos permite chegar-nos ao Salvador de Bahia dos anos 30: uma cidade marcada pela crise originada na Grande Depressão de 1929, pelas diferenças sociais e por uma exuberante diversidade racial e cultural. 
Fonte da Imagem: http://www.universodosleitores.com/2013/02/o-pais-do-carnaval-de-jorge-amado.html
 
Ora bem, o romance apenas mostra uma parte dessa cidade: A Bahia da pobreza, dos malandros, do candomblé, dos capoeiristas, dos estivadores, dos doqueiros, das mulheres da vida, da varíola, e também dos Capitães da Areia; uma Bahia radicalmente separada e rejeitada pela burguesia dominante.
Jorge Amado oferece de forma crua, sem edulcorantes, a luta diária pela supervivência dos capitães.  Mas não é uma historia triste e sem esperança. O livro está carregado de um otimismo contagiante. Apesar de diversos episódios certamente traumáticos (que não vou desvelar), o autor crê num futuro para muitos dos meninos. Alguns até acabarão por ganhar consciência de classe e lutarão para mudar a situação de todos eles.
Provavelmente este espírito positivo tenha a sua explicação em que o Jorge Amado escreveu o romance quando só tinha 27 anos.
Não posso deixar de pensar que uma Bahia similar a esta foi a que achou o meu avô apenas uma década depois, quando emigrou da Galiza. Ele também viveu e trabalhou no cais. Não foi afortunado e retornou aos poucos anos, mas sempre conservou a lembrança daqueles tempos quando era moço na Bahia.
P.S.
Um pormenor curioso!
Alguns dos meninos (provavelmente a maioria) estão inspirados em pessoas reais. Um exemplo é Volta-Seca, aquele menino que sonha com ingressar na banda do rei do cangaço, o Lampião. Lembro que o cangaço foi uma sorte de bandidagem caraterística do Nordeste do Brasil, imortalizada pela literatura e o cinema. De facto, ele foi um dos cangaceiros mais conhecidos da banda, na qual entrou quando era apenas uma criança. A tradição conta que foi o autor de dois dos mais conhecidos hinos cangaceiros: «Mulher rendeira» e  «Acorda Maria Bonita». Morreu em 1997.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Joãzido da Xijão, A décima ilha dos Açores

A tarefa consistia em descrever a décima ilha dos Açores, aquela que tantas pessoas sonharam. Dali, da ilha de Joãozido da Xijão, Leonardo (nível básico) envia-nos este relato do seu dia-a-dia. O único mapa que temos da ilha foi reproduzido neste post. Podem visitar a peça original na bela cidade de Florescência, mesmo ao pé do cais. 

Os meus cumprimentos a todos os/as Joãozidenses que nos leiam! 

Dia-a-dia de um burriqueiro na ilha de Joãzido

A vida em Joãzido decorre tranquila e vagarosa. O meu é um trabalho calmo, rotineiro, mas muito importante: sou burriqueiro.

Costumo acordar muito cedo, por volta das 5 da manhã, antes de amanhecer. Pego no meu burrinho e vou montado nele com parcimónia até ao cais da capital, Florescência. Ali apanho as cartas que chegam de barco e depois começa o meu percurso pela ilha. Joãzido não tem estradas. Portanto, a melhor maneira de ir de uma povoação a outra é de burro. É um meio de transporte lento, mas seguro.

Saio de Florescência às 7h00, quando o dia já está raiando. Com os alforjes cheios do correio, o burro vai andando por trilhos poeirentos. Eu caminho ao pé dele.

O primeiro alto no caminho é Esquisita, uma aldeia de só 20 habitantes. Os primeiros em me receber são sempre os cães e as crianças. Depois são as mães que se chegam, comprovam se houve carta e perguntam pelas notícias da capital e do mundo. Como vocês veem não apenas trago o correio, mas também mantenho a conexão das aldeias com a civilização.







A última aldeia da ilha é a Falésia. Chama-se assim porque está encostada a uma enorme ribanceira por cima do mar. É a aldeia menor e mais remota da ilha. Tem em total 2 famílias que somam 7 habitantes.

Costumo chegar lá tarde, por volta das 18h00, cumprimento toda a gente e falo um bocadinho com eles. Depois convidam-me a jantar, e ao finalizar, à noitinha, retorno à capital.

No verão a minha vida muda bastante. Continuo a fazer o mesmo percurso diário, mas nesse tempo também levo os turistas que chegam à ilha dum lugar a outro. Eles vão montados nos seus burrinhos e sou eu que guia a procissão por todo Joãzido.

A época mais dura e difícil do ano é o inverno. As tempestades e as trovoadas, com frequência não me permitem fazer o trabalho. A ilha fica quase isolada, não chegam embarcações, não há noticias e ninguém sabe o que está acontecer no mundo. Nesse momento Joãzido é mais ilha do que nunca.