Eis uma notícia de 2013, que deixo cá para que fiquem a conhecer o principal festival de Banda Desenhada de Portugal, e a referência de algum autor lusófono conhecido do género, como o Ricardo Cabral.
Amadora B2 - 2013 (Fala Portugal)
Jorge quis assistir a um candomblé e eles disseram que não havia candomblés em Cuba. Num discurso de despedida, para uma grande plateia de intelectuais e de leitores seus, Jorge disse o quanto lamentava não ter encontrado um terreiro de candomblé em Cuba, o quanto repudiava o sectarismo e que não concordava com qualquer restrição religiosa, fosse ela qual fosse (Página 59)
Joseph escreveu este post sobre A Casa do Rio Vermelho.RUMO À DINAMARCAZélia Gattai, em A Casa do Rio VermelhoNum Mercedes preto, com motorista e tudo, carro alugado em Lisboa, saímos numa viagem pelo norte de Portugal, atravessamos serras e planícies, passamos a fronteira com a Espanha. Nos divertimos constatando a diferença de caráter entre os vizinhos, tão próximos e tão distantes na maneira de ser.Deixávamos Portugal e antes de atravessarmos a fronteira lemos numa parede: Um dia o sol brilhará para todos. Logo abaixo, a intromissão de um gaiato: E nos dias de chuva?Mal pisamos a Espanha, lemos na fachada de uma casa, em letras garrafais: Te odio, te odio y te odio!Em Vigo almoçamos no restaurante El Mosquito os mais deliciosos frutos do mar. Jorge fez questão de passar com Arlete por uma papelaria, nossa conhecida, atração e divertimento de brasileiros que por ela passam, interessados no nome do proprietário escrito na fachada da casa comercial: Papeteria Juan Buceta.Nosso destino era Santiago de Compostela, passaríamos, a caminho, por Pontevedra, onde tínhamos amigos. Lá encontraríamos Manolo ou José Alberto Moreira, donos do melhor antiquário da Bahia. Os Moreira tinham em Pontevedra uma sucursal ou matriz, não sei, da casa de antigüidades. Nessa cidade também viviam alguns baianos casados com galegos. Por onde passávamos íamos encontrando conhecidos.Santiago de Compostela é a cidade de meus encantos. Não víamos a hora de chegar à catedral, não queríamos perder a impressionante cerimônia do bota fumero, quando um gigantesco turíbulo suspenso ao alto por grossas cordas é balançado de um lado a outro da igreja, a velocidade aumentando cada vez mais, a fumaça do incenso se espalhando, invadindo tudo.Havia fila para reverenciar Santiago de Compostela, cuja imagem estava instalada no centro do altar-mor.Paramos para ver, dentro do templo, nas suas laterais, enormes pinturas, onde Santiago, montado a cavalo, de espada em punho, decepa cabeças, mata os mouros que o rodeiam. Por isso o chamavam Santiago Mata Moros, explicava um guia de turismo a um grupo queacompanhava.Eu estava doida para me aproximar da imagem, no altar, ao alto,coisa fácil pois era só subir uma escadinha atrás, que dava acesso àscostas do santo. Esperei que um grupo de turistas acabasse de subir, fui atrás. Naquele ambiente sombrio, a proximidade com a imagem me impressionou. Queria dar-lhe um beijinho e para completar o carinho devia também abraçá-lo. No momento em que o abraçava e beijava-lheas costas, ouvi uma gargalhada, aliás, duas gargalhadas. Sem me separar de Santiago, olhei para o lado, onde Arlete e Paloma morriam de rir. Eu não estava ali por caçoada, nem por devoção, apenas tivera esse ímpeto e fora adiante. Não sei se foi impressão minha ou não, senti Santiago tremer na base, não devia estar muito preso. Nesses momentos a gente pensa nos maiores absurdos, e eu pensei: e se aimagem desabar sobre o altar e eu junto, grudada em suas costas?Atacou-me uma vontade louca de rir, sobretudo ao ver que Jorgec hegara junto à escadinha e ria com as duas. Não conseguia me soltar do santo, atrás de mim a fila aumentava e eu ali, fingindo que choravade emoção, recurso instintivo, evitaria ser linchada caso descobrissem afalta de respeito, rir daquele jeito nas costas de Santiago deCompostela. Situação tragicômica, inesquecível, nos rende boas risadas todas as vezes que a recordamos. Nosso destino era a França onde pararíamos uns poucos dias em Paris, antes de prosseguirmos a viagem para a Escandinávia.(Páginas 199-200)